A constipação intestinal infantil é um problema comum e geralmente é causa de sofrimento para as crianças e preocupação para os pais. Chamamos de constipação intestinal, ou "prisão de ventre", a dificuldade de evacuar, devido ao endurecimento ou acúmulo das fezes, levando à dor e maior esforço ao defecar. Entre os sintomas estão a dor abdominal, alterações do apetite, náuseas e até vômitos. Eventualmente, podem ocorrer escapes involuntários de fezes causando constrangimento e mal estar à criança.
A causa mais frequente de constipação na infância está relacionada aos hábitos alimentares. A constipação de origem nutricional é normalmente causada por uma quantidade insuficiente de líquidos e fibras na dieta, fazendo com que as fezes fiquem endurecidas e com as extremidades ásperas, podendo causar dor, fissuras anais e hemorróidas. Nestes casos, algumas crianças prendem as fezes com medo da dor ao evacuar, gerando um ciclo vicioso que só piora o quadro. Outras causas comuns da constipação são estresse emocional, introdução de novos alimentos, falta de exercício físico e algumas doenças orgânicas como hipotireoidismo, parasitoses e doenças intestinais.
Há uma tendência histórica de ingestão reduzida de fibras nas dietas infantis. O consumo de frutas e vegetais está frequentemente abaixo das recomendações na maioria das crianças. A dieta rica em fibras é eficaz no tratamento da constipação, porque aumenta o volume fecal, produz fezes mais amolecidas, evacuações mais frequentes e ainda aceleraram o trânsito intestinal.
Desta forma, o papel do nutricionista infantil consiste em avaliar detalhadamente os hábitos e a alimentação da criança e elaborar uma orientação alimentar com as seguintes diretrizes:
- aumento da quantidade de fibras, seja na forma de alimentos ou suplementos,
- estímulo a uma hidratação mais eficiente,
- identificação e substituição de possiveis alimentos constipantes,
- normalização da flora bacteriana intestinal.
Além disso, são fundamentais as mudanças comportamentais e de hábitos de vida que facilitem o funcionamento intestinal, como a prática de atividade física, atenuação de possíveis fatores estressantes e reeducação do hábito regular e sistemático de evacuar.
O uso de medicamentos laxantes deve ser reservado para casos especiais e sempre orientado pelo pediatra. Alguns laxantes irritam a parede do intestino, podem causar dependência e seu uso constante é desaconselhado. Mesmo quando são prescritos, medidas nutricionais de apoio devem estar associadas para melhora da eficácia.
É importante lembrar que a constipação crônica na infância, mesmo quando não está relacionada a uma doença orgânica, deve ser considerada com seriedade pois pode levar a uma diminuição do tônus muscular nos intestinos, dando início a um problema que pode se estender por toda a vida. Quanto mais precoce a orientação, melhores tendem a ser os resultados e maiores são os beneficios para a criança.
Fonte: http://www.endocrinologia.com.br