CRESCIMENTO

É importante ter em mente que não se faz diagnóstico de problema de crescimento em uma única consulta. O que se pode inferir, nesse caso, é que o paciente apresenta baixa estatura ou, quando lactente, que tem baixo peso. Baixa estatura ou baixo peso para a idade refere-se a um valor abaixo de um determinado ponto de corte, que pode ser abaixo do percentil 3, como é o caso da curva de Tanner, abaixo do percentil 5, como na curva do NCHS, ou até abaixo do percentil 10, como os neonatologistas usam na curva de Lubchenco. Estar abaixo de um determinado ponto de corte não significa, necessariamente, que o paciente tem problema de crescimento, e esses pontos de corte são arbitrários. Os limites inferior e superior das curvas de referência são estimados dependendo do tamanho da amostra avaliada quando da sua construção. Com os recursos estatísticos atuais, é possível calcular percentis mais extremos, mas à época em que essas curvas foram construídas, isso não era possível. Sempre devemos lembrar que percentil significa que três por cento das pessoas normais estão abaixo daquele valor.

Dessa forma, muitas crianças que procuram o médico por baixa estatura são na verdade variantes extremos da normalidade (cerca de 80% das crianças com baixa estatura). O que aponta para problema de crescimento é a velocidade de crescimento. Velocidade significa espaço dividido pelo tempo. Em crescimento isso se traduz em altura ganha em determinado intervalo de tempo. Os pediatras trabalham com esse conceito cotidianamente, talvez sem se dar conta. Quando se afirma que um lactente ganha 30g/dia no primeiro trimestre de vida, está se aplicando o conceito de velocidade. Em altura ocorre o mesmo.

A criança cresce em média 25 cm no primeiro ano, sendo 15 cm no primeiro semestre e 10 cm no segundo. Já no segundo ano inteiro, a criança cresce 10 cm, e, a partir dos dois anos de idade, cresce entre 5 e 7 cm por ano até o início da puberdade, quando a velocidade de crescimento torna a aumentar, atingindo um pico médio de velocidade de 9 cm/ano para a menina e 10 cm/ano para o menino. Como o ganho em estatura é pequeno, medidas tomadas em curto prazo podem ser mascaradas pelo erro do medidor (quando realizadas por períodos muito curtos). Assim, recomenda-se que medidas de estatura sejam feitas com, pelo menos, três meses de intervalo. O cálculo é feito com o tempo decimalizado; assim, três meses equivalem a um quarto do ano (0,25). Se nesse período uma criança de quatro anos de idade cresceu 1,5 cm, dividindo-se esse ganho por 0,25, tem-se velocidade de 6 cm/ano, dentro do esperado para a idade. Para uma avaliação mais precisa, seria interessante usar os gráficos de Tanner e Whitehouse 22, que apresentam curvas de crescimento desde o nascimento até a adultícia.

Como as curvas do NCHS17 e as do CDC23 não têm curvas de velocidade de crescimento, uma forma alternativa, proposta por Cole26, seria calcular o escore z da primeira e da segunda medida, e depois subtrair o primeiro do segundo. Se a diferença for maior que zero, significa velocidade em ascensão; se for igual a zero, a velocidade está estável; se for menor que zero, ela está descendente. Lembre-se que nem sempre a velocidade é ascendente. Nos dois primeiros anos de vida, ela é descendente, depois ela fica estável; em alguns casos, fica descendente novamente próxima ao estirão da puberdade, ascendente na primeira parte da puberdade e descendente na segunda parte, até atingir velocidade zero na adultícia. Valores de velocidade abaixo do percentil 10 são considerados de risco, já que 80% das crianças abaixo desse valor apresentam algum problema.



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